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Entrudo, Páscoa e Natal

Entrudo

entrudo

Época que segue as festividades do Natal e início de um novo ano, logo a seguir aos Reis. A folia que lhe está associada prolongava-se em outros tempos e eram várias as tradições que, na sua maioria, se foram perdendo com o passar dos anos.

Uma dessas tradições, o jogo dos compadres e das comadres era bastante curioso: as raparigas, logo a partir do primeiro dia de Carnaval, confecionavam as comadres, bonecas de panos velhos que colocavam nas janelas e que depois guardavam num lugar secreto para os três últimos dias da quadra. Entretanto, os rapazes, que também faziam os compadres, procuravam as comadres escondidas para as queimar na terça-feira de entrudo. Com as raparigas passava-se o mesmo em relação às comadres.

Outra tradição, a das deixas ou leitura dos dotes, passava-se antes de domingo gordo. Os rapazes subiam para o ponto mais alto da povoação à noite e, de funil em punho, liam os dotes. Uns faziam as perguntas, outros respondiam. E era assim em tom jocoso que se inventavam casamentos, fazendo referência aos nomes das pessoas. Ninguém escapava.

Mas o momento mais importante era o enterro do entrudo. À luz de archotes encenava-se um cortejo fúnebre com carpideiras, padres e sacristão. Acabava queimando-se o caixão ou o espantalho, figuras alegóricas do diabo.

 

Páscoa

pascoaA par do Natal, a Páscoa é o momento alto das festividades da religião cristã. O cerimonial tem início com a Quaresma e a Semana Santa a assume especial destaque

A Semana Santa antigamente era vivida segundo um padrão rigoroso de comportamentos que era pregado pela igreja católica e o povo seguia fielmente. Durante a Semana Santa era “pecado” executar grande parte das tarefas de casa ou do campo: as mulheres não lavavam a roupa, não passavam a ferro, não varriam; os homens não executavam tarefas pesadas nos campos, limitando-se ao mínimo essencial, sobretudo na quinta-feira santa de manhã e na sexta-feira da paixão de tarde. As panelas e os potes eram bem lavados e esfregados com areia e cinza para eliminar qualquer sinal da gordura animal. Ficava para trás o período das matanças do porco e de todas as comidas típicas desse período.

Hoje em dia as coisas são bem diferentes. De resto, já de alguns anos a esta parte as coisas mudaram. Muitos de nós são conhecedores da azáfama das nossas avós para cozer os bolos amarelos no forno a lenha, aquecido pela carqueja que se apanhava nos montes e se trazia para casa de burro. Hoje os bolos já se compram em padarias e pastelarias, não serão bem a mesma coisa mas a tradição mantém-se.

O Domingo de Páscoa é dia de festa. Celebra-se a ressurreição de Jesus Cristo e em Armamar ainda se cumpre a antiga tradição da Visita Pascal. O Padre percorre as casas para uma bênção às famílias. A altura é aproveitada para fazer a recolha da côngrua.

Antigamente na Páscoa costumava cumprir-se um outro costume: os padrinhos darem o folar aos afilhados. Para isso os afilhados ofereciam o ramo benzido na missa de ramos aos padrinhos. Há quem ainda cumpra esta tradição mas já não se vê muito.

Nesta altura em Armamar vivem-se dias mais movimentados. Muitos dos armamarenses emigrados, sobretudo em território nacional (os emigrantes na França, Suíça, Alemanha, entre outros preferem o Natal e o verão) vêm à terra, muitas vezes acompanhados de amigos, para viver as tradições desta festa.

 

Natal

Natal

O Natal é a época do ano em que as tradições ainda se vão mantendo e em Armamar ainda é possível viver o Natal longe da azáfama das compras dos presentes, símbolo dos novos tempos em que muitas vezes parece ser mais importante comprar ou receber o presente desejado em vez de pensar que a quadra é de festa e reunião das famílias. Em Armamar as coisas ainda vão sendo mais calmas, como antigamente.

O dia 24 de dezembro começa logo cedo. Em Armamar realiza-se a Feira da Consoada e as donas de casa, responsáveis pela preparação da ceia, aproveitam para ir comprar o que falta. Por seu lado, o homem da casa vai tratar de colher as couves, que plantou atempadamente já a pensar no Natal, para cozer com o bacalhau e as batatas. A lenha necessária para a lareira também se prepara e arranja-se sempre um toco maior, aquele que fica ao borralho noite dentro, cúmplice das conversas dos adultos e brincadeiras das crianças em volta do lume.

À tarde, enquanto a família se vai reunindo e as mulheres se envolvem nos preparativos na cozinha, os homens vão buscar para a praça da aldeia, muitas vezes o adro da igreja, o grande toco de Natal que à noite se põe a arder.

À medida que a noite se aproxima as pessoas começam a recolher-se para a ceia. Quem vem de longe, se não chegou está a chegar e as casas enchem-se de vida. Lá dentro diversos aromas se confundem: a canela das filhós e da aletria mistura-se ao vaporoso cheiro das couves que cozem ainda nos potes de ferro e há sempre quem não resista a uma rabanada mesmo antes do jantar. Dentro de instantes a mesa vai ser palco de uma importante reunião: a da família. Faz-se o balanço de um ano que está prestes a terminar, recordam-se com saudade os que partiram e sonha-se com o ano que está para vir.

Ainda persiste por terras de Armamar, pelo menos em algumas das aldeias do Município, a tradição da missa do galo. Perto da meia-noite os mais corajosos deixam o calor acolhedor da lareira e, bem agasalhados, enfrentam a noite de frio para assistir a esta celebração. Pelo caminho há sempre a possibilidade de bater à porta de vizinhos, de entrar e cumprimentar os que vêm de mais longe e depois sair para a igreja.

Em Armamar, para além dos presentes, o Natal ainda vive das tradições que muita gente só conhece de ouvir falar.

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